terça-feira, 2 de agosto de 2016

TRÓPICOS UTÓPICOS


Confesso que nunca li um livro do Eduardo Giannetti antes, certa noite ao ver o Globo News, calhou de haver uma entrevista dele com Mario Sergio Conti no programa Diálogos onde a pauta era o Brasil e a sua tendência a copiar o padrão civilizatório ocidental, não tenho nada contra isso diga-se de passagem, apenas concordo que podemos ter nosso próprio modelo uma vez que somos um pais culturalmente amplo em suas raízes. A entrevista basicamente introduzia o novo livro do Giannetti, Trópicos Utópicos. Gostei muito da entrevista e fiquei curioso em ler o livro o qual adquiri na primeira oportunidade.

O texto é bem diferente do que eu imaginava, minha expectativa era uma longa crônica sobre o Brasil atual e suas mazelas, embora para isso não precisemos de livros novos, basta ver a TV, ler o jornal ou surfar pelas mídias sociais que lá estão, em tecnicolor brilhante, toda a patifaria que convivemos no atual ambiente sócio politico e cultural em Pindorama. Honestamente não aguento mais olhar a cara dos senhores de Brasília criando subterfúgios jurídicos para esconder a cara de pau, desculpem, sai fora do tópico.

Voltando ao livro, o argumento é composto de 124 pequenos textos, as vezes não mais que uma frase, mas no máximo duas ou três páginas, cobrindo tudo, literalmente tudo, desde um pouco de sociologia, e até historia do Brasil e do mundo, principalmente Europa e o que conhecemos como Estados Unidos e seu American Dream. Há explicação e pensamentos sobre diversos pontos entre eles, escravagismo, religião, carnaval, dinheiro, trabalho, felicidade, fertilidade e até uma reflexão sobre a diferença entre a américa saxônica colonizada pelos ingleses e a américa ibérica colonizada pelos espanhóis sem esquecer, evidentemente, dos portugueses.

Por falar nisso, o português do Giannetti esta longe das ruas, mas é compreensível e rico, sua leitura enriquecerá seu vocabulário, coisa que a maioria dois brasileiros não dá a mínima atualmente. Tudo classificado em 4 partes, eu pessoalmente não entendi exatamente o motivo desta divisão, mas não faz diferença, talvez tenha que ler o livro novamente no futuro para entender isso.

No texto de número 123 intitulado de “Sonhar o Brasil”, Giannetti provoca a reflexão: “ Faz sentido a ideia de uma civilização brasileira?…devemos nos resignar à condição de imitação desastrada…do modelo que nos é incutido pelo mundo rico…” e finalmente no último texto, o de número 124 ele afirma: “A questão respondida. – “Tupi or not Tupi that is the question” – propõe a conhecida fórmula antropofágica. “Tupi and not tupi” – eis a possível resposta.



A contra capa do livro é escrita por Caetano Veloso onde o mesmo diz sobre o livro: “…É uma redescoberta do Brasil que aguça a cabeça e comove o coração.”
A edição da Companhia das Letras é primorosa em capa dura e em formato dos livros antigos, que adoro, há até uma fita marcadora de páginas, a obra conta com 210 páginas com uma seção robusta de notas explicativas.

Vale a pena ler, reler e pensar muito sobre o futuro de nosso país e de nossa gente com o farto material nos presenteado por Eduardo Giannetti.

Este é o 36º livro que li este ano de 2016, e um dos melhores até o momento.


Capa

contra capa com texto de Caetano Veloso

Miolo ricamente encadernado valorizando o texto



Como a vida pode ser tão boba, quando nos desligamos da realidade...


Costumo ver filmes no Netflix, porque  é fácil de escolher, há uma variedade incrível e posso ir e voltar quantas vezes desejar até me cansar. Gosto de ver e rever os filmes até entender e esclarecer o que quero ou não vejo nem dez minutos e já deixo pra lá e vou buscar uma outra alternativa.

Poster original do filme O último Guarda Costas

Esta semana comecei a ver um filme sem pretensão chamado O último Guarda Costas ou London Boulverad no original, primeiro o escolhi pelo ator, o irlandês Colin Farrel, ele sempre faz bons filmes de ação bem ritmados e com garantia de uma boa diversão, no decorrer dos primeiros quinze minutos descobri que a atriz inglesa Keyra Knightley também estrelava o filme e fiquei mais feliz ainda, porque ela também só atua em bons filmes. 

A expectativa de uma boa diversão foi aumentando enquanto a historia se desenrolava, mas o meu sexto sentido me avisava que alguma M... iria acontecer e aconteceu, a historia se baseia em um ex detento recentemente solto, ainda em condicional vivendo pacatamente atras de uma vida nova e honesta. Os ex companheiros o cercam e tentam envolve-lo na antiga vida, a ele é oferecido um emprego de faz tudo a uma atriz reclusa com síndrome do panico que mora em uma mansão cheia de carros de luxo, obras de arte e dinheiro que chama a atenção de um chefão do crime, há ainda problemas com a irmã mal carater e por ai vai. Uma coleção imensa de personagens marcantes cada um com seu papel bem direcionado. 
David Thewlis
Vai aqui uma menção especial a atuação de David Thewlis como o viciado Jordan, um ex ator e produtor em desgraça com a própria vida que rouba a cena toda vez que aparece.

Há muitas cenas de tirar o folego e naturalmente como bom romântico comecei a torcer pelo casal que se apaixona durante a primeira metade do filme.

Mas, ai a coisa complica, não vou dar spoiler aqui, mas o final é um soco no estomago e, bem, eu não gostei, fiquei olhando os créditos do filme aparecerem sem acreditar que o enredo iria realmente acabar daquele jeito.

Conclusão, o filme é muito bom, os atores são excelentes, mas o final é péssimo.
Mas valeu a pena te-lo visto, foi uma boa diversão.

Caso queira saber mais sobre filme acesse aqui

veja o trailer aqui